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O laboratório e as doenças diarreicas

A função digestiva é muito importante para o correto funcionamento de nosso organismo, permitindo que os alimentos ingeridos sejam corretamente digeridos, absorvidos e metabolizados, além de atuar na eliminação de substâncias não processadas ou indesejadas.
O funcionamento intestinal pode ser avaliado de maneira bastante simples através do número de evacuações e consistência das fezes. Segundo a OMS, diarreia aguda é uma doença caracterizada pela perda de água e eletrólitos, que resulta no aumento do volume e da frequência das evacuações e diminuição da consistência das fezes, apresentando algumas vezes muco e sangue (disenteria).
De forma contrária, a constipação intestinal ocorre em pessoas que defecam até 2 vezes por semana (uma vez a cada 3-4 dias), com fezes duras, ressecadas e pequenas, com grande dificuldade de evacuar.

diarreia

Entre as causas de distúrbios intestinais, podemos citar:

– alimentação
– hidratação
– stress
– uso de medicamentos, principalmente antibióticos
– genética
– sedentarismo
– microbiota intestinal

Existem várias causas para as doenças diarreicas, que podem ser devido à:

– processos infecciosos, causadas por bactérias, vírus, fungos e protozoários: causas mais comuns de diarreias agudas, sendo que as bacterianas (Salmonella, Shigella, Campylobacter, Clostridium difficile,…) são as mais agressivas e necessitam tratamento imediato com antibiótico. Já as diarreias causadas por vírus (Norovírus, Rotavírus) são geralmente autolimitadas e requerem apenas hidratação, uso de antitérmicos caso haja febre e reposição de bactérias intestinais com o uso de probióticos. A etiologia fúngica está associada normalmente com pacientes imunocomprometidos e requer investigação clínico-laboratorial criteriosa. Já os protozoários, principalmente Giardia e Entamoeba, são bem mais comuns, muitas vezes sub-clínicas, sendo facilmente erradicadas com o uso de anti-helmínticos.

– intoxicação alimentar: ocorre através da ingesta de toxinas, normalmente bacterianas, com manifestação clínica rápida (de 4 a 8 horas), sem febre. É autolimitada e requer apenas reposição de líquidos.

– alergias alimentares: mais corretamente caracterizadas como reações de hipersensibilidade, nas quais nosso organismo desenvolve uma resposta imune indesejada e exacerbada quando entramos em contato com determinadas substâncias (alérgenos). Dependendo do grau de hipersensibilidade e da quantidade de alérgeno ingerida, resulta num quadro grave que pode levar à óbito (choque anafilático).

– intolerâncias: o caso mais comum é a intolerância à lactose, na qual a pessoa não produz ou tem deficiência de produção de uma enzima intestinal chamada dissacaridase. Nosso epitélio intestinal consegue absorver apenas açúcares do tipo monosscarídeos. A lactose é um dissacarídeo, ou seja, formada pela união da glicose e galactose. Para ser absorvida necessita da dissacaridase intestinal. Na ausência desta, a lactose não é absorvida, sendo degradada pelas bactérias intestinais, resultando num acúmulo de substâncias ácidas, que geram a diarreia osmótica. O paciente tem, além de sucessivas evacuações líquidas, uma sensação de queimação provocada pela acidez das fezes.

– doenças autoimunes: são patologias nas quais o próprio organismo desenvolve resposta imune contra substâncias próprias. Não tem cura e podem ser apenas controladas com o uso contínuo de antinflamatórios. Entre os exemplos podemos citar doença de Crohn e doença celíaca.

– uso de medicamentos: principalmente antibióticos, que destroem a microbiota protetora intestinal e uso contínuo de laxantes.

– tumores: a presença de neoplasias intestinais pode levar à distúrbios crônicos na absorção de nutrientes e gerar processos diarreicos intermitentes.

dor

Do ponto de vista do diagnóstico, o laboratório de análises clínicas pode contribuir de forma decisiva na elucidação das causas das doenças diarreicas. Vários exames podem ser solicitados pelo clínico para auxiliar na definição da etiologia do processo diarreico. Os mais importantes são:

  • Coprocultura: exame microbiológico da fezes, onde serão pesquisados os principais agentes bacterianos e fúngicos associados com processos diarreicos.
  • Parasitológico de fezes: pesquisa protozoários (Giardia, Entamoeba e outras amebas intestinais) além de helmintos (Taenia, Ascaris, entre outros) causadores de parasitoses intestinais.
  • Coprológico funcional: permite avaliar características macroscópicas (cor, forma, consistência, sangue), bioquímicas (pesquisa de gordura, hemoglobina fecal e substâncias redutoras), digestivas (presença de fibras e restos alimentares), químicas (pH) e imunológicas (resposta inflamatória).
  • Teste de intolerância à lactose: após ingesta oral de lactose, são realizadas 3 dosagens de glicose no sangue, a fim de comprovar (ou não) a absorção intestinal da lactose.
  • Perfil de alérgenos alimentares: para as pessoas com alergia, cabe apenas a restrição alimentar. Porém, para descobrir quais são os alimentos os quais apresenta hipersensibilidade, necessita realizar esse teste com amostra de sangue.
  • Pesquisa de autoanticorpos: nas doenças autoimunes são produzidos autoanticorpos, ou seja, anticorpos que geram resposta imune contra substâncias próprias. Alguns exemplos de autoanticorpos são FAN, antiendomisio (para doença celíaca), ANCA e ASCA (doença de Crohn).

No caso de diarreias agudas e/ou crônicas, procure seu médico para uma investigação, somente ele pode fazer uma avaliação adequada, avaliar se e quais exames são necessários e será capaz de interpretá-los corretamente.

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