Home / Prevenção Saúde / Febre Amarela

Febre Amarela

Nos últimos tempos temos sido surpreendidos negativamente com notícias na imprensa relatando os maus tratos das pessoas com vários macacos selvagens em nosso Estado. Com informações equivocadas, algumas pessoas acreditam que, eliminando os macacos, descartam a possibilidade de uma epidemia de febre amarela em Santa Catarina. Cabe salientar que, além de tratar de um ato de selvageria, incluindo animais sob risco de extinção, esses macacos não oferecem risco real de iniciar um ciclo urbano da doença.

A Febre Amarela é uma doença causada por um Flavivírus, pertencente à mesma família do vírus da dengue, transmitida pela picada do mosquito e que pode apresentar dois ciclos: urbano e silvestre.
Na mata, a febre amarela é transmitida por mosquitos chamados de Haemagogus e Sabethes e que vivem principalmente nas copas das árvores. Eles necessitam picar o macaco (que é o reservatório natural do vírus) e depois picar o ser humano. A pessoa infectada na mata, precisaria ir à cidade para dar início ao ciclo urbano da doença. Nas cidades o mosquito transmissor da Febre Amarela é o Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue. Felizmente, desde 1942 a febre amarela é considerada erradicada em áreas urbanas do Brasil, e para que a situação se mantenha assim é fundamental o controle deste mosquito.
Atualmente, a Febre Amarela silvestre é uma doença endêmica no Brasil (região amazônica). Na região extra-amazônica, períodos epidêmicos são registrados ocasionalmente, caracterizando a re-emergência do vírus no País. O padrão temporal de ocorrência é sazonal, com a maior parte dos casos incidindo entre dezembro e maio, e com surtos que ocorrem com periodicidade irregular, quando o vírus encontra condições favoráveis para a transmissão (elevadas temperatura e pluviosidade; alta densidade de vetores e hospedeiros primários; presença de indivíduos suscetíveis; baixas coberturas vacinais; eventualmente, novas linhagens do vírus), podendo se dispersar para além dos limites da área endêmica e atingir estados das regiões Centro.

A doença tem esse nome devido ao comprometimento hepático, muito comum nos pacientes. Tal comprometimento pode levar à um quadro de icterícia, que significa pele, mucosas e fundo do olho amarelado. Outras manifestações clínicas são: febre alta de início súbito, sensação de mal-estar, dor de cabeça, dor muscular, cansaço, calafrios, náuseas e vômitos. Após três a quatro dias a maioria dos doentes (85%) recupera-se completamente. Quando a doença evolui para a forma grave há aumento da febre, diarreia, reaparecimento dos vômitos, dor abdominal, icterícia (olhos amarelados, semelhante à hepatite), manifestações hemorrágicas (equimoses, sangramentos no nariz e gengivas) com comprometimento dos órgãos vitais como fígado e rins.
No caso de suspeita de Febre Amarela e viagem recente à área endêmica da doença, devem ser realizados exames laboratoriais para confirmação ou exclusão do diagnóstico. Deve ser realizado um exame de sangue, onde serão pesquisados anticorpos IgG e IgM contra o vírus da Febre Amarela, sendo realizado em dois momentos. A primeira amostra deve ser coletada após o quinto dia do início dos sintomas e a segunda amostra de sangue de 14 a 21 dias após iniciar os sintomas. Tal medida é necessária pois, em muitas situações o primeiro teste sorológico pode dar FALSO-NEGATIVO, visto que muitas pessoas não produzem anticorpos suficientes para serem detectados nos primeiros dias de infecção (janela imunológica). Se o resultado da do teste na segunda coleta for Não Reagente (negativo), pode-se eliminar completamente a possibilidade da doença.
Não há tratamento específico, sendo apenas sintomático, com cuidadosa assistência ao paciente em ambiente hospitalar

A única forma de prevenção é através da vacina, que está disponível gratuitamente nos postos de saúde. Toda pessoa que irá viajar para área de risco de Febre Amarela deve ser vacinada. Importante salientar a necessidade de vacinar pelo menos 10 dias antes da viagem, para que a proteção imune seja efetiva.

As recomendações para vacinação são:

  • Crianças de 09 meses a menores de 5 anos: administrar uma dose aos nove meses de idade e uma dose de reforço aos 4 anos de idade;
  • Pessoas a partir de 5 anos de idade, que receberam uma dose da vacina antes de completar 5 anos de idade: administrar mais uma única dose com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.
  • Pessoas a partir de 5 anos de idade, que nunca foram vacinadas ou sem comprovante de vacinação: administrar uma dose e agendar mais uma dose para 10 anos após.

Obs: Se você tomou uma única dose há mais de 10 anos e reside ou vai viajar para alguma área com recomendação de vacina, precisa ser revacinado.

Quem são as pessoas que não devem ser vacinadas?

  • Menores de seis meses de idade;
  • Gestantes, independentemente do estado vacinal;
  • Mulheres que estejam amamentando, devendo a vacinação ser evitada até a criança completar 6 meses de idade, independentemente do estado vacinal;
  • Pessoas com alergia a ovo e seus derivados devem receber a vacina em ambiente hospitalar devido ao risco de uma reação anafilática acontecer. Avaliar o risco benefício antes de decidir pela vacinação;
  • Portadores de doenças com imunodepressão transitória ou permanente (câncer, lúpus eritematoso, HIV/AIDS, entre outras) e em tratamento com medicamentos à base de corticoides;
  • Doenças autoimunes ou doença neurológica;
  • Pessoas com 60 anos e mais que serão vacinadas pela primeira vez.
  • Qualquer dúvida sobre a vacina e/ou na suspeita da doença, recomenda-se procurar a Unidade de Saúde mais próxima para uma avaliação médica completa.
Posts Recentes
Contact Us

We're not around right now. But you can send us an email and we'll get back to you, asap.

Not readable? Change text. captcha txt

Comece a digitar e pressione Enter para pesquisar

Perfil hepáticoHIV e AIDS